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Pela liberdade da educação - Parte 3

Atualizado: 25 de jun.

A educação aqui é fundada em fantasias

Ninguém escuta mais os professores que estão na sala de aula. As ideias chegam desconexas da realidade de seu ofício a partir de um político, acadêmico ou empresário, que distante da escola e do ensino, projetam seus ideais para salvar nada menos que uma nação inteira, ou até mesmo, o mundo de uma só vez. A ignorância sobre as intermináveis variações de suas teorias baseadas em ideais falsos, leva o salvador ao delírio quimérico, e a pressa de resultados, faz todo o progresso real ser trocado por algo sem fundamentos, raso e simplório.


A incoerência das propostas de ensino no Brasil até agora

O Brasil quer uma coisa, planeja outra, faz uma terceira e colhe ainda outras como resultado. O desejo, a vontade, o querer, o possível e o real não conseguem andar juntos numa mentalidade carente de formação intelectual imaginativa. O homem precisa fazer o que pensa e pensar o que deseja a partir de seus sonhos mais profundos, mas o brasileiro está distante do que realmente sonha ou chegou a sonhar um dia.


Toda metodologia supre com uma necessidade de um povo

Um dos maiores problemas está em toda metodologia estrangeira, principalmente europeia(nova pedagogia), ser uma metodologia de ensino para alunos que já possuem muita educação, mas são carentes de alguns tipos específicos de conhecimento. Enquanto em nossa realidade, seria preciso uma metodologia que entregasse primeiro essa educação de que carecemos através de uma legítima formação cultural.

Levar metodologias estrangeiras para as escolas no Brasil não funciona, pois elas próprias são resultados de perfis culturais, mentalidades e necessidades específicas de um povo.

Aqui, se formos aceitar alunos que não querem ou não deveriam estar em sala de aula, estaríamos resolvendo o mesmo problema do médico com o paciente que não quer ser tratado ou do advogado com o seu cliente que não quer ser defendido. Em todas as profissões, restaria apenas o caos.


Pela reaproximação do professor do teórico

Não desejo desfazer nada, nem no meio privado e nem no meio público (neste apenas algumas coisas), mas gostaria que todos, encontrassem, de fato, o rumo correto através de uma aproximação com os professores e educadores que arcam com o exercício numa escola ou sala de aula, que são verdadeiramente vocacionados para a sua profissão, disposto a implementar tudo o que chega de novo, desde que, contenha provas concretas de melhoria.

Se pretendo teorizar e concretizar um plano de educação, é preciso que exista um grupo de professores dentro de sala que servirão como braço direito do teórico, isso, quando ele próprio não conseguir entrar.


Os três níveis de consciência

De acordo com crítico literário Northrop Frye, há três níveis de linguagens que o ser humano atinge: a perceptiva e emocional (conversa banal); a prática e técnica(profissional) e a imaginativa (cultura, arte, literatura etc.).

Temos um grande problema mental gerado a partir da nossa incapacidade de atingirmos a terceira camada da inteligência, ou seja, a parte de nossa consciência que formula os nossos ideais e liga-os às possibilidades e caminhos para uma melhora real e concreta que parte da imaginação e do ideal abstrato. Assim, o brasileiro não consegue projetar nada sobre a realidade; e quando acredita fazê-lo, sempre acaba em erro. Nós, quando muito, alcançamos o segundo nível, que é o do senso prático; jamais o terceiro, mas será apenas neste, que encontraremos a nossa independência. E será apenas através dessa conquista que enxergaremos com clareza o que é preciso fazer com a nossa educação, ao avaliarmos pela primeira vez a nós mesmos pelo que somos, em todos os nossos defeitos, virtudes e ideais a serem buscados e necessidades a serem supridas na imensidão de nossas diferenças.

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