A desvalorização do professor
Atualizado: 2 de ago.
Enquanto o educador brasileiro não entender que o seu papel é salvar o indivíduo, enquanto ele não entender que o seu ofício está sendo entregue a politicagem com cada nova diretriz nacional, enquanto não entender o mal na desvirtuação que estão fazendo de seu caminho na centralização de ideais em figuras como Paulo Freire, Marilena Chauí e tantos outros, enquanto defender pedagogias que centralizam o aluno na sala, ele não encontrará a sua tão esperada valorização. Ela é uma conquista que primeiro se liga à sua própria independência e liberdade de pensamento e autoridade em suas ações e escolhas, mediante uma busca culminante no encontro da educação genuína.
Não há mais um desejo do peso real da educação sobre os ombros.
O processo ideal de educação cabe ao educador somente, é sua responsabilidade individual reconhecer a diretriz de seu ofício para que então, com a experiência de seu meio, e a autoridade de seus estudos, consiga realizar as devidas modificações, melhorias ou mudanças no caminho como achar necessário. Mas aqui ele não deseja mais o peso dessa responsabilidade, ele estuda o que o político diz para estudar, aplica o que os cientistas dizem para aplicar e idealiza o que acadêmicos e teóricos - já há muito afastados do ensino - dizem para idealizar. Ele caiu numa situação tão absurda, que a absurdez passa despercebida. Ele desistiu do dever com o pensamento, o qual é o seu único diferencial de tudo o mais. Aqui, ele deseja somente o seu trabalho de operário, gosta de ter diretrizes, aplica o que é exigido, ou seja, “passa o pano” em todas as suas tarefas. No fim, faz o que dá para fazer no meio de conteúdos rasos e passageiros: manter o colégio de pé até o fim do expediente.
A centralização do aluno.
“Clientecismo” é o termo da moda, usado pelas pedagogias recentes. Aqueles que não notam uma subversão total dos valores em apenas aplicar uma palavra como essa no meio docente, é porque o meio já destruiu a sua consciência, ou então, nunca entendeu o que é sua profissão. Mas não é um choque tão grande ouvi-las, quando se conhece tudo o mais sendo aplicado no meio pedagógico. O que choca de verdade, é ver professores escutando isso como carneiros seguindo seu pastor para o sacrifício, ingênuos e avoados. Tão perturbados pela comoção do dia a dia que não enxergariam o diabo em pessoa. Novamente uma tentativa da retirada do peso das costas do professor para outro meio, dessa vez, o coitado do aluno! Agora é ele quem decide a diretriz do professor! Já não bastassem as escolas e os professores obedecendo politicagem, agora o jovem precisa mandar num lugar em que fora ele mandado a frequentá-lo! Ora, querem que eles façam as suas escolhas e sejam servidos? Então os permitam NÃO frequentarem as escolas! O cliente tem a liberdade total de deixar de ser servido, mas se ele é obrigado a permanecer no estabelecimento, não pode ser cliente coisa alguma!
Os falsos ídolos.
Em uma coisa acertamos, não haveria patrono mais ideal para representar o estado de calamidade da educação brasileira que Paulo Freire, são essas figuras que são usadas como farol maquiavélico para ludibriar os pensamentos dos professores, entregando-os um ideal pronto e embalado à se moldar como preferirem, pois no fundo, ninguém conhece ou quer saber de Freire, o Brasil é o país das aparências, e Freire, já cumpre com esse papel como símbolo da nossa miragem na educação.
O ofício do educador está em salvaguardar almas.
E por fim, enquanto não soubermos que o ofício do educador está em salvaguardar almas, não unicamente através da fé, mas também pelo conhecimento e do uso da razão, não arcaremos com a nossa total responsabilidade com a educação do indivíduo pleno. A visão do professor tem de penetrar tão profundamente no aluno para entender as suas necessidades, que é impossível um professor sério não utilizar do transcendente para encontrar nele a compreensão de seu pupilo. A nova visão cientifica da pedagogia que coloca o cientista acima do educador faz com que compactuemos com monstruosidades que nada se relacionam com o indivíduo na criança, querem uma educação para os “alunos” destruindo sua individualidade e sua capacidade de enxergar os sentidos mais profundos de sua vida. Escutar cientistas que detestam o ser “criança” e a utilizam para tornar os homens mais eficientes é a nova loucura do nosso século.
A desvalorização dos professores pelos professores em sua própria história em nome da ciência.
Ora, se prestamos tanta reverência à ciência, até mesmo na área da educação, então são os cientistas que devem ser valorizados, e não os educadores! Deus é cruel demais, preferimos a autoridade e os conhecimentos dos experimentos daqueles que empurram, assustam e jogam a criança de um lado para o outro para tirar explicações do que é esse estado e o que essa fase representa ao longo de nossas vidas. Hoje, o ideal de educação está em aplicar testes que possuem o mesmo resultado em animais nas crianças dentro de um laboratório ou de uma clínica. E Deus os livrem de ter de lidar com elas no mundo real, fora de sua zona perfeita de testes! Pobres cuidados! O educador era para ser a ponta da lança que julga e decide o que usará em sua educação; não o testador ingênuo dos meios que a usurpam. Seus pilares deveriam ser a filosofia e a religião, as matérias que se ocupam de julgar o todo no indivíduo, e não pontos específicos de sua natureza. A educação que não visa o todo, não pode ser educação de forma alguma.
A rápida transmutação do meio educativo no Brasil.
Como queremos ser valorizados se aprendemos a desvalorizar todos aqueles antes de nós, do dia para a noite? Aqueles que foram totalmente esquecidos e ignorados pelo novo viés pedagógico científico, somente por conduzirem seu trabalho distante da ciência — ainda que nada poderiam aproveitar dela se houvesse em seu tempo. Aqui me refiro ao esquecimento do passado, à desvalorização recorrente dos professores com os antigos colegas educadores. Se desistimos tão rapidamente dos métodos antigos, o que garante que amanhã também não seremos nós, os esquecidos ou os renegados por uma nova onda, ou descoberta científica, ou metodológica? Não há valorização onde o meio se refaz diariamente. A educação é o meio que abandonara seu próprio valor e seu valiosíssimo conhecimento em filosofia e religião em prol da ciência. Ora, se prestamos tanta reverência à ciência, então são os cientistas que devem ser valorizados, e não os professores! Pois o que então seriam eles — os professores — se não somente serviçais a aplicarem conclusões de terceiros sem nada a acrescentarem por si próprios? Se aqueles com a última palavra pertencem a um laboratório, que valor há no professor? Não passaria de um operário perturbado demais para tirar quaisquer conclusões. FAÇA O QUE É LEGISLADO PELOS POLÍTICOS! O QUE É CONCLUÍDO PELOS CIENTISTAS! O QUE É MANDADO PELAS CRIANÇAS! O QUE É EXIGIDO PELOS PAIS IRRITADOS! FAÇA! NÃO PENSE! Nem pense em pensar, muito menos através da filosofia e da religião, os únicos meios que guiaram todo o conhecimento do homem sobre educação até então. Se o professor é aquele com menos direito de opinar sobre o seu trabalho, como pode exigir a sua valorização?
Não há mais como medirmos o mérito dentro do professorado, pois tudo é relativo no pensamento pós-moderno.
E ainda, como é avaliado o mérito de cada professor dentro da mentalidade pós-moderna onde tudo se torna relativo? Não há como valorizarmos algo que não consegue medir dentro de si, o valor dentre seus próprios integrantes. Não há mais autoridades fixas na educação ou na pedagogia. O que faz um bom professor? Ninguém sabe, pois estamos voltados para a ciência — que anula suas próprias conclusões conforme seu avanço — e estamos voltados para os métodos e teorias que dizem que tudo é relativo e que não há verdade a ser encontrada! Muito menos que há professores melhores que outros. Ora! Um professor não é igual a outro! Se não há autoridades que definam esses méritos, então todos seremos julgados pelo modelo mais baixo do meio, nesse caso, todos, portanto, sendo desvalorizados.
Resumindo os pontos resultantes na desvalorização do professor:
1.Esquecer que o aluno possui alma e o que é o homem em sua completude.
Deixamos de enxergar indivíduo adulto no jovem no qual se transformará ao colher os frutos de uma educação verdadeira, ou seja, não há uma grande perspectiva das consequências e dos efeitos que a educação sendo aplicado hoje no jovem gera ao longe de sua vida.
2.Estar subordinado a uma autoridade política federativa.
O retiro da liberdade do professor de agir com base nas suas próprias experiências, estudos e conclusões em seu trabalho em nome de uma diretriz única para o país mais culturalmente diversificado do mundo, do tamanho de um continente com 200 milhões de habitantes..
3.Ter como única autoridade intelectual o meio científico.
Transformamos hoje o meio científico na autoridade suprema da educação, assim ela – como o educador – é subordinada a um meio que contempla apenas uma fração da realidade e da educação como um todo, e na maioria das vezes, não sabe nem como interpretar algum dado para inseri-lo num processo de ensino, fazendo a valorização real pertencer a ciência, ou seja, até mesmo na educação, passamos a valorizar o cientista no lugar do educador.
Escola visava o indivíduo transcendente, recentemente começou a visar o adulto esquecendo dessa transcendência, partimos para o aluno esquecendo do adulto e agora a criança ou o jovem que mais nada se relacionam nem com o aluno, nem com o adulto nem com o indivíduo e nem com a sua transcendência.
O que existe então? Um animalzinho com a sua motricidade sendo estimulada.
4.Aceitar pedagogias clientecistas(que chamam o aluno de cliente) e métodos que desvirtuam o significado e o sentido do professor que conhecemos.
Compactuar com certas perspectivas metodológicas que elas próprias rebaixam o valor do professor, transformando-o em auxiliar ou atendente na sala de aula. A própria vontade dos pais é de que seu filho seja servido na escola, e não educado. E já que o educador aceitou a ser obediente a tudo exceto àquilo que acredita, aceitamos ser o atendente, pois a má educação, por culpa desse relativismo, faz o aluno ou a aluna desordeiro, vulgar e grosseiro, estar com a razão.
E é claro que um estado como esse, só poderia resultar no medo do professor que o aluno o impõe ao levá-lo à diretoria, e a diretoria, o pavor dos pais tirarem seus alunos da escola.
É aparentemente mais fácil servir que lutar, e é por isso que aceitamos esse modelo, mas como dito, é uma aparência de benefícios.
Já tentaram servir alguém mal educado e ainda entregá-lo razão para sê-lo?
5.Ser influenciado por falsos ícones e ideais sem base em resultados concretos.
Passamos muito tempo de nossa formação em ideais absurdos. Quantas coisas escutamos numa universidade somente para chegar na realidade de uma sala e perceber a diferença monstruosa entre o ideal e o necessário?
6.Descaso com a história e o percurso da educação até a chegada da ciência.
Como valorizamos hoje a história da educação? Será que entregamos qualquer mérito para os esforços descomunais dos educadores anteriores a nós? Como queremos sermos valorizados se não aprendemos a valorizamos quem veio antes nós? Assim, quem garante que não seremos nós os esquecidos? Parece que os educadores de hoje passaram uma borracha em toda a sua história anterior a ciência, ora, é lógico, se um meio faz isso a si próprio, não é que ele é desvalorizado, mas desvaloriza a si mesmo. Ou seja, hoje, primeiro vem o ministério da educação, depois vem o cientista, depois o teórico idealista que nunca entrou numa sala de aula, e então vem o professor. Esse é o valor que existe hoje do professor.
7.Constante remodelação e transmutação dos princípios e bases da educação.
As coisas mudam do dia para noite, isso é verdade, mas nunca foi tarefa da educação acompanhar essa mudança radical e descabida, o seu dever, pelo contrário, sempre foi permanecer como um farol que enxerga para além da mudança repentina, a sua legitimidade. Ver se será bom ou ruim e até tirar essa conclusão e permanecer constante com naquilo que provou sua eficácia através dos anos. Hoje, contudo, para cada nova tecnologia inventada, remodelamos um universo inteiro e achamos que o ser humano é capaz de mudar o que há de mais elevado nele - por exemplo - por culpa de um celular. A essência do homem – que é o trabalho real da educação - não muda e nunca mudará, sua alegria, suas necessidades etc. Estarão baseadas sempre em um único caminho.
8.Ausência de unidade no ideal do professorado (não há como medir méritos, tudo é relativo).
Sempre teremos alguem acima de nós, e sempre alguém abaixo. Há bons doutores, assim como há maus doutores, há bons advogados assim como há maus advogados. Essa é uma percepção natural do ser humano em seu ofício, mas desistimos de olharmos para o professor com essa perspectiva e acabamos esquecendo como fazê-lo.
Não há um consenso do que é um bom professor e um mau professor, quando isso acontece, tudo se nivela pelo mais baixo. Desistimos de julgar entre nós a virtude e estamos muito arrogantes para buscá-la.
9.O professor não educa mais na forma que foi educado.
Isso o leva a uma falta de verificação por si próprio do método que usa em sala de aula. Não aplicando o que fora a sua própria educação, não há mais um elo que entrega autoridade e comprovação entre o que ele é, com mérito de seu passado e as novas descobertas e transmutações da educação, não tento a capacidade de fazer uma justa comparação na legitimidade do processo de ensino que visa não a destruição de antigos métodos, mas uma melhora constante em cima de um caminho cada vez mais consolidado.
10.Negação e desvalorização da religião e da filosofia como ponto crucial de ligação de toda a educação.
O educador sempre fora um filosofo, um religioso ou ambos. Pois somente a partir dessas duas matérias se conseguirá penetrar o conhecimento no aluno na totalidade de sua formação, e será somente através delas que o educador reconquistará o valor de sua profissão.
Concluindo em tópicos:
1. Esquecer que o aluno possui alma e o que é o homem em sua completude.
2. Estar subordinado a uma autoridade federativa.
3. Ter como única autoridade intelectual o meio científico.
4. Aceitar pedagogias modernas clientecistas e métodos que desvirtuam o significado e o sentido do professor que conhecemos.
5. Ser influenciado por falsos ícones e ideais sem base em resultados concretos.
6. Fazer descaso com a história e o percurso de sua profissão até a chegada da ciência.
7. Constante remodelação e transmutação dos princípios e bases da profissão.
8. Ausência de unidade no ideal do professorado (não há como medir méritos, tudo é relativo).
9. Falta de verificação por si próprio do método que usa em sala de aula. O professor não aplica mais o que foi a sua própria educação, não há mais um elo que entrega autoridade e comprovação entre o que ele é, e o mérito de seu passado.
10. Negação e desvalorização da religião e da filosofia como ponto crucial de ligação de toda a educação.
Será somente após a revisão de todos esses itens que se encontrará a tão sonhada valorização do professor nos números em sua conta bancária no final do mês.

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