O mal das universidades no Brasil
- José Roberto Carvalho Trajano

- 22 de ago. de 2025
- 4 min de leitura
Atualizado: 25 de jun.
A justa indignação
A regra geral é levar a vida com mais leviandade possível, nada pode ser sério, nada é verdadeiro, a não ser o que vem do palhaço. Por vezes saio do campus com a absurdidade latente de todo esse meio. Começo a pensar se não estaria exagerando, se toda essa indignação não passaria de um momento equivocado, apenas para ser arrependido no futuro, afinal, são adolescentes fazendo festa e pessoas assustadas e desesperadas para ganhar a própria vida.
Por que fazer tanto de um tão pouco aparente? O mundo não seria maior que esse sentimento repulsivo? Talvez fosse melhor eu seguir a minha vida, afinal, quanto esforço é gasto apenas para dizer o que há de mal, quando poderia usá-lo para procurar e propagar aquilo que já temos de bom?
Por muito tempo, neguei uma justiça que havia em mim, uma sensação e um sentimento de que as coisas deveriam e poderiam ser melhores, de um jeito verdadeiro, mas que por alguma razão, não são. Em minha ignorância na juventude, só me restara a contemplação do horror e a decepção dos momentos que degradavam-se conforme o chamado à maturidade para uma realidade que se apresentava totalmente distinta das minhas esperanças e ideais.
A justiça vem de dentro pra fora e não de fora para dentro
Sempre dizia a mim mesmo que as coisas não são assim, pois se fossem, não seriamos o que somos e o que já fomos um dia, e não nos restaria mais de meio século para sobrevir a nossa ruína.
O que quero dizer é que a justiça que levamos conosco, que eu levo comigo, desde de os meus seis anos de idade, não nos chega desse mundo, e nunca poderá adaptar-se à barreira secular do nosso tempo, a verdadeira justiça nunca funcionará de fora para dentro, mas de dentro para fora.
Posso tentar provar aqui pela lógica o mal que apresento, mas o sentimento sempre precisará ser despertado a a partir do indivíduo. A essência do juízo parte de uma intuição, e toda a intuição é um sentimento. Como Santo Agostinho defendia que o homem é o segundo professor dele mesmo, fazendo-o acelerar o aprendizado, mas este sempre se originará do primeiro, que é Deus.
Deus me entregou a vontade e o dever, e agora, pela primeira vez, deixei-o entregar também a coragem para fazê-lo.
São os sonhos que nos trazem, por vezes, as mais elevadas sensações e estados.
Para um artista, pode até ser a sua obra prima finalizada em forma e sentimento, que basta o movimento de seu braço para que nos encontre, compartilhando conosco a sua verdade. Mas enquanto o pintor utiliza de suas ferramentas para dar forma ao seu quadro, o educador usa de sua educação para dar forma ao indivíduo.
A escola é consequência do meio universitário.
Os erros, e suas consequências, chegam de cima para baixo, se as escolas estão como estão, é necessário entendermos o meio acima delas, ou seja, o meio acadêmico. Eles que ecoam a desordem que formalmente acontecerá no ensino básico. Como eu teria o direito ou até mesmo o dever de negar a realidade desse meio que interfere diretamente com a minha busca?
Quando andamos sem olharmos para os lados, ao primeiro relance periférico, somos imobilizados.
Hoje é exigido que se olhe para frente, se for pra baixo, melhor ainda, nossa visão em qualquer outro sentido nos traumatiza, nos joga fora do mundo idealizado pelo mundo, pois já que estamos ocos, não sobreviveríamos muito longe do bando de malucos que nos conduzem pelas trilhas de areia.
Concluindo...
Mas os chamados para as revelações são agora, e enquanto não me chegam soluções, ao menos, me abro para as verdades em frente ao ideal e a realidade, enquanto ainda tenho força para uni-los, enquanto ainda as presilhas e as correntes das necessidades não me chegam, embora elas também sejam um guia e uma serventia às revelações da verdade, desde que saiba como vivê-las; um conhecimento que sinto que ainda me escapa.
A conclusão que posso tirar de tudo isso é a mesma que frequentemente estarei expondo para auxiliar aqueles que buscam uma educação correta e verdadeira.
A faculdade é o lugar onde mais se camufla a verdade, pois como a escola, ela vive para si mesma, com seus próprios problemas a serem resolvidos. Se quiser festejar e continuar o estado de transe que a escola o coloca fazendo parte de uma realidade paralela ao mundo real, dos problemas e tensões reais e das pessoas reais, então a faça. Mas se precisar apenas do seu certificado, ao menos faça a distância, abra sua mente o mínimo possível para esse meio enquanto vive no mundo real. Não vá ao shopping das crianças eternizadas do país desencantado, onde a depressão, a ansiedade e a miséria do homem fazem o seu covil e os conduz para o fim.
Precisamos criar antídotos para o meio relaxado que a criança encontrará ao deixar a escola, fazê-la aprender a enxergar o mundo, a realidade e todas as suas tensões. Caso contrário, como no meu caso, só restará pagar - por medo desse novo mundo - mais uma fortuna para continuar com a sua realidade de fantasias, protegidas pelas barreiras da procrastinação das verdadeiras obrigações, enquanto corre atrás de seu título eterno de estudante.
Digo isso para que mentalmente possamos nos desprender das universidades no Brasil. Que a esperança do jovem não desapareça ao conhecer a realidade das dependências burocráticas e ideológicas que aprisionam o pensamento dentro das instituições. Uma instituição hoje serve para ela mesma, vive em nome dela e se justifica pela sua sobrevivência.
Não despreze, se desprenda. Não pense mal, apenas não pense, não sinta ódio, não sinta nada. Porém cuidado, a justiça desvairada através da razão pode corromper o juízo.
Não estamos aqui apenas para resolvermos problemas em que o nosso juízo pensa ter encontrado, também estamos - principalmente - para justificar esse mesmo juízo naquilo que já temos de bom.
A essência precede os problemas.
Antes do mal vem a graça, antes da dor, vem a vida.
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