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Pela liberdade da educação - parte 2

Atualizado: 25 de jun.

O desencontro de tudo no Brasil

Enquanto o Brasil tenta ser uma coisa só, é tudo ao mesmo tempo, e nada funciona. O desejo não se liga com a vontade, a vontade não compactua com o possível, e esta, não cabe mais na realidade, e nem ao menos as necessidades são compreendidas para então serem supridas.

Países com os mais variados modelos de ensino compartilham as primeiras posições no ranking mundial de educação. Como: a Alemanha, com o seu modelo profissionalizante, categórico e seletivo que coloca já o aluno dentro das empresas; a Coreia do sul junto com o Japão com metodologias conteudistas na aplicação de avaliações e testes, que chegam a ultrapassar uma carga horária de 12 horas diárias de estudo; a Dinamarca, com um modelo mais dinâmico e libertino através de elaborações de projetos e trabalhos; e a suíça, com a sua pluralidade e liberdade de metodologias em cada um dos seus 26 cantões, fazendo também do homeschooling uma opção totalmente personalizada pela família.

A questão não é o método, mas a eficácia de sua implementação.

Não há o que dizer se não que todos possuirão as suas falhas e os seus benefícios, mas a questão é, se o sistema de ensino funciona ou não no país que esta inserido? Compactuam com a sua personalidade, sua história, sua cultura e seus objetivos num crescimento gradual de alguma meta que se transpareça os resultados em sua população?

Como poderíamos falar da eficiência de métodos em si mesmos - até em avaliações de grande escala - ao nos depararmos com uma verdade como essa? A conclusão mínima que poderíamos tirar dessa pluralidade de metodologias que formam os primeiros lugares em educação no mundo, é que todo o método em si mesmo não pode ser efetivamente avaliado, pois seria apenas em seu nível de eficiência e capacidade de adaptabilidade, quando inserido num determinado povo, nação ou cultura, que poderíamos chegar a alguma conclusão.


Aqui a educação é despedaçada em ideais desconexos.

O problema de qualquer sistema de educação é fazê-lo pela metade, ou de uma forma que, ao mesmo tempo que abrange todos, não alcança resultado algum, o que é precisamente o caso do ensino brasileiro, que é destruído pelas tensões politicas e jogos de poder - troca de favores - que permeiam a máquina governamental e econômica. Nenhuma ideia pode realmente elevar-se acima da outra porque todas elas pertencem a um lado de cada vez, e nenhum lado pode elevar-se acima do outro pois vivemos num equilíbrio da eterna miséria provocada por uma esquematização sem fim de poderes. Quando se fala em educação no Brasil, tudo é macro, tudo é para uma grande escala; assim, temos a todo momento os olhos dos oportunistas voltados para ensino que o impedem de ser algo sério e verdadeiro.

Não é que o sistema de educação no Brasil seja falho; ele não existe de forma alguma. Há um enxame de ideais controversos entre si, por exemplo: teorizamos a educação como se fosse crítica emancipatória nas universidades e na formação dos novos professores; falamos na política e na propaganda como profissionalizante; e na sala de aula - na prática efetiva - é exigido que a pratiquemos como conteudistas, pois é a única solução que resta para professor ter um momento de paz, enquanto passa os infinitos textos a serem copiados para as provas que de nada lhes servirão, mas que giram uma máquina em que o fim é ela mesma.

E mais ainda, cada segmento no Brasil se envolve com a sua própria quimera, em educação temos por exemplo: o político, o acadêmico e o empresário. O educador é instrumentalizado e obediente a pelo menos dois desses três setores, sua vida está atrelada ao que eles idealizam; e que Deus os ajudem, pois nenhum dos três farão algo que reflita o que ele passa em seu ofício de professorado. Assim, a profissão que deveria criar o indivíduo para exercer sua capacidade máxima de liberdade, se transformou no maior centro de proletariado.

Os ideais no plano da educação transformam a profissão numa zona de guerra incomunicável com a realidade e em incompreenções de uns para com outros. São afobados pelo seu desespero, mancos por sua incompletude e infundados em qualquer tipo de princípio ou colheita de resultados.


Se não houver vantagem política no sistema que há hoje, então não há mudança ou chance para uma melhora genuína.

E quando uma ideia não contempla nenhum lado é ainda pior, pois aí não há qualquer razão para sair do papel. Conheci uma história de um motorista de aplicativo - que em época de eleição saía de seu cargo público para se afastar das rixas políticas - que me contava que sua cidade tinha recebido uma verba inesperada, e todos os partidos - que já tinham suas metas em andamento - tentavam cada um puxar para si esse bônus. Porém a cidade estava enfrentando um problema muito sério de falta de energia, e o recurso viria a solucionar o problema. O detalhe é que esse tipo de investimento não bonificaria ou beneficiaria nenhum partido político ou deputado ( apenas a cidade inteira). Mas a indignação do motorista - que naquela época, era novo no meio político - foi tanta, que depois de uma história de 40 minutos - que durara a viagem inteira - de esquemas e enrolações, ele conseguiu fazer com que fosse aprovada a verba para esse projeto, tudo partiu e fora esquematizado por ele, convencendo de político em político de ambos os lados até ser aprovado pela maioria. Foi a sua primeira e última participação ativa na política. Enquanto narrava sua história, se conseguia sentir o cansaço psicológico que aquele meio gerava em sua consciência.

Ou seja, se ninguém é nomeado ou sai ganhando, não há interesse, e quando algo dá certo, logo em seguida, precisa vir a ideia contrária para puxá-la para baixo e parar com os seus resultados, evitando assim que um lado suba demais. É claro que isso é a própria ferramenta de defesa que uma democracia tem a seu favor, mas toda a ferramenta, quando abusada ou mal utilizada, eleva também a capacidade, como nunca antes, à prática do mal.

Essa é a nossa BNCC; a nossa diretriz curricular de ensino, que não alcança resultado algum pois está a mercê de um equilíbrio político que precisa satisfazer a vontade de ambos os lados, sem que ideia alguma possa alcançar seu real objetivo.

É o caranguejo dentro do balde que puxa as pernas do companheiro que tenta sair! Assim acabamos, sem antes mesmo de começar, com toda tentativa ou grande ideia que poderia ou viria a funcionar no Brasil.


O Brasil necessita de liberdade

A educação precisa ser aplicada da forma mais diversa e personalizada possível para que o Brasil arque verdadeiramente com a sua diversidade, mas até agora, não há nada que o encaminhou a essa direção. Falta a autonomia dos estados, dos conteúdos e das escolas, nas concessões que um país livre e multicultural deveria oferecer ao seu povo.

Não é preciso que todos os brasileiros concordem com o mesmo ensino, apenas que todas as pessoas inseridas numa escola concordem com a diretriz daquele lugar específico.

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