O que será a nossa lança e o que serão os nossos escudos.
- José Roberto Carvalho Trajano

- 19 de jun.
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Atualizado: 25 de jun.
Não é preciso compor como Bach para termos o direito de tocar algum instrumento, não é preciso escrevermos como um Dostoiévski para termos o dever de escrever um diário, não é preciso criar como Leonardo Da Vinci para inventarmos o que quer que seja. O que digo? Que, nessa vida, só temos a obrigação de fazer uma única coisa bem-feita, algo que elevará o meio a um outro patamar, uma nova verdade ou descobrimento, e isso, precisamente, será a nossa lança, que penetrará na realidade como uma extensão do nosso ser, que carrega consigo novas revelações a serem alcançadas. Mas, como dito acima, também haverá coisas em que não atingiremos uma magnitude tão significativa, que ficaremos na média, ou abaixo, que será rejeitado ou nem conhecido por outros, que nos parecerá um esforço vão, onde os resultados concretos são difíceis de enxergar. Porém, tudo que é pouco, por ser pouco, não o torna inválido, uma viagem de férias aguardada o ano inteiro, não tem sua importância diminuída por sua curta duração de alguns dias. E teremos muitas coisas que serão assim e essas, precisamente, serão os nossos escudos, que acima de tudo treinam e formam nossa humildade.
Só consegue se manter na trilha quem tem escudos, e só possui escudos quem possui a humildade de enxergar a grandeza de algum feito não para si, mas em si mesmo, ou seja, para Deus.
Essas pequenas atividades nos esconderão do mal, dos vícios e das coisas com aparentes resultados mais imediatos, que aos poucos, nos desvirtuam do alvo principal da nossa lança, que mira na alma em Deus. A lança é o caminho que escolhemos para a nossa vida, e os escudos, são aquilo que nos manterão firmes nessa empreitada ao perdermos a nitidez do nosso destino.
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