O educador cristão.
- José Roberto Carvalho Trajano

- há 5 dias
- 4 min de leitura
Quantos professores cristãos não são conduzidos por uma trilha totalmente oposta à Deus sem ao menos perceberem que essa mesma trilha foi criada por pessoas que nada se relacionam com a natureza divina, e pior, dizem que não há direito algum da educação se relacionar a esse conhecimento?
Como um educador se diz cristão, se todas as suas referências que adquiriu ao longo de sua formação, e que as usa hoje no seu trabalho, nunca se preocuparam em relacionar qualquer conteúdo com o que realmente o professor venha a usar em sua vida?
Não esqueçamos que jamais haverá neutralidade. Toda a pedagogia moderna não quer saber de Deus, ela sempre desejará se colocar acima de todas as coisas, e entre todos os novos termos que ela trabalha, Deus estará sempre em último lugar. Mas a função principal do pedagogo cristão, deveria ser justamente a busca da razão para o seu ofício em Deus.
Tudo o que nós - como pedagogos - lemos, estudamos e fazemos no meio principal de nossa formação, Deus está fora. Agora, isso não seria essencialmente um problema, pois a nossa sociedade é assim mesmo, nós escolhemos essa liberdade. Mas quando nós procuramos um caminho diferente, quando desejamos fazer o que acreditamos para aqueles que também desejam receber o ensinamento que temos à entregar, quando, alguém em nome dessa mesma liberdade, tem a oportunidade de exercer o exercício de educar?
O educador cristão precisa entender que ele não pode se distanciar de Deus dentro de sua formação, precisamos entender que Deus precisa estar no centro de todos os seus princípios, fins e justificativas.
É somente em Deus que se justifica a nossa sociedade como ela é, e é preciso saber o porquê, o por que de todas as coisas se relacionarem com Deus. É apenas através dessa realidade que todos os outros termos possuem seus respectivos sentidos e valores. Essa é a primeira verdade que precisa ser representada através do exemplo do professor para os alunos, para que ambos possam trilhar uma linha paralela de origem e fim.
Se o educador não souber as conclusões em Deus através da razão, faça em nome de sua fé, e então comece o caminho para conhecê-la através de outros meios. A fé é o ponto inicial; a razão, o caminho, e a graça, o fim último. A busca por outras justificativas é o dever do professor em afirmar a sua fé em razão. Para que o conhecimento e essa mesma fé possam ser transmitidos verdadeiramente ao aluno, penetrante em seu juízo e na sua inteligência. E como dizia Santo Agostinho, através de um segundo professor, fazer o aluno chegar ao primeiro que é o mestre de todos.
Se esquecemos da razão de alguma coisa, não devemos parar de fazê-la, mas reencontrar a causa que se perdeu.
Se Deus fez o homem e o entregou todas as suas faculdades para que se encontrasse partes dessa mesma verdade através da ciência e da filosofia, é essencial que ele navegue por essas águas, mesmo que em mares tempestuosos, pois - embora existam muitas correstes e caminhos - no fim, atracaremos na mesma ilha. A responsabilidade com a verdade na ciência, na razão e na lógica para aqueles com conhecimento de Deus, é infinitamente maior que qualquer cientista que vive a sua vida fora dos resultados de seu trabalho, pois o cristão, enquanto o cristão, nada retira de sua vida a partir das conclusões da sua inteligência, tudo se liga e se reorganiza. Damos a volta ao mundo para chegarmos onde partirmos, essa é a verdade da natureza da nossa jornada em Deus. A origem, se não ligada ao seu fim, não começará nada; o fim, se não compactua com sua origem, não chega; e o presente, se não está diretamente e constantemente relacionado com o fim e com a origem através do senso de eternidade, nos deixa à deriva na falta de sentido.
As políticas que nos chegam de cima podem estar tão desvirtuadas e nos iludir tanto, que é possível estarmos aplicando a vontade do diabo nas crianças sem que percebamos.
Muitas vezes, vejo professores praticarem por pura automação, coisas que são tão às avessas aos seus ideais em Deus e tão bem elaboradas para enganar a própria percepção da realidade, que o faz acreditar que a sua própria educação e os seus valores, não podem e não devem se relacionar em absoluto com o seu ato de educar.
Não digo nem que serem enganados dessa forma é o maior problema, mas há coisas muito boas que estão sendo afastadas de nós educadores, por essa desavença entre a ciência e o conhecimento divino, e isso não é bom. É preciso que o pedagogo cristão saia do meio pedagógico para conhecer a matéria mais preciosa que poderia entregar ao aluno? Estamos acostumados a não relacionar a nossa vida profissional com a vida particular, e a educação, é o primeiro meio que sofre com essa moda. O que o professor ensinará ao aluno? E como, se não através dos próprios valores? Como se comunicarão se não na transparência dessa verdade em seu meio de agir? É dever dele convencer o aluno do que ele sabe de mais verdadeiro! Nós queremos e gostamos de sermos convencidos da verdade, mesmo que saibamos que a verdade só poderá ser despertada, e nunca diretamente transmitida. Porém, graças a razão do homem, é possível um preparo dessa descoberta, agilizando a sua chegada.
O cristão é aquele que precisa estar mais compromissado com a ciência, a filosofia e enfim, a verdade, pois já está nele o maior de todos os conhecimentos e deveres que se sobressaem ao próprio mundo diretamente para a sua consciência e além. Está nele a inteligência divina que é superior a razão, mas que só é graças à razão que consegue percebê-la, assim como o cachorro privado de razão, a reconhece no homem através da imaginação, e reconhecendo a superioridade do homem, imediatamente se submete ao comando de uma inteligência superior, enquanto nós, devemos o nosso esforço à razão, que é a ponte que nos liga à percepção da inteligência de Deus, que é superior a nossa natureza. Como diriam que a religião afasta do mundo real e se ela é quem entrega ao homem tem a maior responsabilidade com a verdade?
Comentários