Geração desnecessária - Parte 3
A sociedade não o exige mais nada? Ótimo, agora não há o que camufle a sua busca pela justiça divina. Ela o deixa preguiçoso, permite ficar na frente dos televisores, computadores e celulares vegetando até a vida encontrar sua valia novamente enquanto seu cérebro escorre pelos seus ouvidos? Que bom! Agora és livre para ir atrás do real sentido da vida, de suas ações e de toda a vontade legítima, se souber como, é claro, pois aquele que não enxerga através dos olhos da alma, nunca poderá desejar nada que seja legítimo.
“Mas eu queria ser o prefeito de minha cidade, queria trabalhar em tal empresa, fazer tal coisa.” Ora, Todas essas posições e ocupações são limitadas, há um número ideal para que elas possam funcionar, como poderia tornar o seu contentamento dependente de uma busca que não compactua em absoluto com a sua vontade, ou um bem geral das coisas? Acaso, quem define os cargos? É você, a vontade de alguém, ou uma arbitrariedade da sociedade no que ela mesma deseja num dia, para que no outro, o deixe?
Que desperdício de perspectiva! Se voltar para migalhas distribuídas enquanto for do interesse de uma aleatoriedade de pessoas que ao cessarem seus interesses, muitas vezes desvariados - que pode ser próprio de um Nero - o deixa de mãos abanando.
O trabalho e o sustento são importantes, mas não tão importante para vivermos em nome deles. Nós precisamos entender que os cargos e os trabalhos são autônomos, ou seja, não precisam se relacionar de forma alguma com a escola, a educação ou qualquer outro meio para sua realização. Alguém que termina o ensino médio hoje e que é alfabetizado é tão mais apto a exercer uma profissão quanto outro que nunca estudou e também é alfabetizado. E a alfabetização é um mínimo prático necessário que não se relaciona com o trabalho, mas a necessidade de viver em comunicação com o meio.
O que acontece quando todas as necessidades são supridas? Quando todos os cargos se reduzirem ao mínimo de pessoas, quando o essencial já for alcançado? Nos voltaremos à nossa real natureza através da religião e da filosofia para reconquistar o que por muito tempo, tivemos como uma vida verdadeiramente plena. Talvez agora com outras questões, mais informações - talvez mais confusão e perigo - e mais pessoas participando das discussões. Será uma era como nunca antes de conhecimento e plenitude. Mas precisamos primeiro despertar no jovem e no adulto essa busca que pode ser encontrada numa formação propícia para esse despertar. É por isso que defendo a educação pela virtude, a educação de Menão, ela é o preparo para o jovem do futuro no qual se fará uma ponte com o passado, pois é necessário uma geração de ligação com passado distante para que na limitação de nosso tempo, nos voltemos para o lugar que desacostumamos a olhar.
Acredito que uma educação como a de Menão, não apenas será a educação do nosso futuro, mas também do presente imediato, visto as neuroses, as crises existenciais e ansiedades provocadas por uma sociedade de aparente mudanças, que pela primeira vez, fixa suas razies, e nos obriga agora a nos voltar para dentro, mas não sem deixar um rastro nas mentes dos que agora colhem as consequências do esquecimento da real natureza do ser humano.
Para salientar a importância de um método moral na educação, por exemplo, o Método de Menão, segue logo abaixo as dez principais razões de forma resumida:
Para realizar qualquer trabalho, não é necessário um preparo que se relacione com a escolarização.
A sociedade não o exige mais nada do jovem.
Há muitas pessoas fazendo muitas coisas.
Muitos cargos inúteis e sem sentido apenas como fachada para nos entregar um falso contentamento no vazio.
A tecnologia está ocupando o lugar do homem na utilidade.
Crises existenciais, neuroses e ansiedades aumentando na falta de utilidade do homem.
Estamos encontrando uma estabilização nas coisas.
Trezentos anos de crescimento material culminou em minha geração, agora é apenas mais do mesmo.
Não passamos mais necessidade física.
O caminho não será mais para fora e para os lados, mas para dentro e para cima.

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