O karma do educador no Brasil.
- José Roberto Carvalho Trajano

- 19 de jun.
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Todo o problema é passível de ser solucionado, basta admitir o erro.
Por que a educação no Brasil parece impossível de ser resolvida? Pois os culpados não admitem os seus equívocos, e todo o restante tem receio de revelar os malfeitores.
As ideologias nunca deixarão a educação, essa é, e sempre será uma problemática constante do homem, porém a massificação de um único viés pedagógico junto a uma idolatria singularizada, é o que nos impede e nos cega para qualquer caminho que visa uma melhora, ainda mais, quando questionar o que se fez até agora, e o que há, transformou-se num pecado mortal. No fim das contas, deve ser admitido: não há outro culpado, se não, o próprio professorado.
Sou professor, e a cada dia que passa fica mais nítido em minha consciência um karma que a docência no Brasil nutre desde o começo dos tempos com o seu ministério, criado com muita politicagem e falsa propaganda. Um espetáculo de decisões infundadas que só pioraram com o tempo, onde o seu único mérito esteve em livrar os pais de suas crianças enquanto os entregam uma falsa sensação de dever cumprido para com a sua cria. Digo cria, pois a partir do momento em que é largado filho na escola, os pais passam a serem criadores, ou seja, não há mais o dever de entregar a própria cultura, princípio de uma verdadeira educação; agora, há um mínimo de esforço que já atinge um grande contentamento em sua consciência, ou seja, encontram suficiência em dar comida, abrigo e cuidados médicos, enquanto a escola entrega uma falsa esperança de fazer todo o resto.
A minha trajetória na educação, assim como a de meus colegas, se inicia nessa situação precária em que vivemos, ou seja, a partir da solidificação dessa estrutura centenária e continental de uma só cabeça, que rejeita qualquer autoridade que exista além dela mesma. Até mesmo, a autoridade que caberia ao professor pelo reconhecimento de sua realidade, e que através de seus estudos e experiência, enxergaria a solução e o caminho mais cabível para a educação de sua comunidade. Mas o que temos nas escolas é justamente a paralisia total do professor em relação a função que devia lhe ser cabida: a de educar efetivamente.
Junte essa paralisação sistematizada e acrescente teorias que justificam a relatividade do conhecimento - que o melhor e pior não existe, e que é impossível de se encontrar verdade - e eu os desafio com a seguinte pergunta: Qual a diferença entre contratar um professor e um palhaço? A resposta se dará no fim do texto.
Karma é todo o caminho que necessita de uma força para reencontrar o bem. Ele pode ser ruim, precisando de muita compensação, ou menos ruim, precisando de pouca compensação. Mas Karma será sempre um problema, pois enquanto o homem precisar compensar suas ações, ele ainda não encontrou a sua natureza mais divina, que é o seu Darma, o caminho ausente de compensação, pois ele próprio é o trajeto sem consequências, ou seja, o bem último.
Toda a profissão arca com um karma, seja ele bom ou ruim. No Brasil, o pior Karma estaria na política, sem dúvida, mas em segundo lugar, e já há um bom tempo, tenho a triste sensação que encontraríamos na educação. Não é fácil admitir ou aceitar, mas com compromisso com a verdade através da razão, com o amor para com os jovens, e com o perdão para com todos aqueles que por ignorância, ou malícia, deixam e deixaram essa doença se alastrar para aqueles mais vulneráveis e inocentes, é possível enxergar uma luz, e por fim, aceitar o destino tempestuoso, mesmo que durante uma vida inteira de lutas, revelar-se-ia apenas um resquício de vitória. Sendo assim, devemos aceitar o Karma como professor, e com isso, aceitar a responsabilidade não apenas de uma função presente, mas de um dever atemporal com a verdade. Nada menos merecido para com àqueles que tudo precisam absorver pela primeira vez, e que sofrerão as consequências mais severas daquilo que primeiro lhes fizeram acreditar.
Não tenham medo, tenham esperança. Não tenham vergonha, tenham perdão.
Qual a diferença entre contratar um professor e um palhaço?
Numa educação em que não se valoriza mais o conhecimento ou a verdade, conseguiram fazer com que o professor saísse mais barato para fazer encenações.
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