top of page

Geração desnecessária - Parte 1

28 de jun.
3 min de leitura

Há uma tensão existencial que a necessidade material, quando suprida, está provocando nas gerações que estão chegando. Dizemos que o jovem de hoje é inútil, por que é assim que todo o meio o enxerga.


Desde a sua educação na escola, ele aprenderá a viver para si. Arrumar um emprego para se sustentar e viver a sua vida é a razão máxima que irão lhe entregar - se ainda tiver sorte - como justificativa para a sua própria vida. Trabalho e serviço são problemas pessoais que precisam ser resolvidos individualmente, egoisticamente, pois pouco importa o que se faz, como se faz ou o que é realmente necessário ao seu redor, ninguém mais sabe o que é ser útil ou o que isso significa no plano geral de sua vida, pois hoje, com todo o conforto material e acesso ilimitado ao conhecimento, o que podemos fazer mais?


O mundo sempre quis que o deixássemos em paz, e ele nos suprirá com qualquer coisa para que não ponhamos as mãos nele, basta desejarmos, e essa é precisamente a nova educação: entregar uma satisfação falsa ao jovem, que o faz se despedaçar, para convencê-lo de que o mundo está bom sem ele, e que todos terão o que quiserem. O problema - quando há - estaria somente em sua cabeça, pois tudo o mais é relativo. As maldades e todas as tensões que lhe apresentam para pensar, se limitam ao rio que está poluído, as plantas sendo cortadas e até mesmo o próprio ar acabando!


Somos as gerações desnecessárias! Por trezentos anos, a supressão desvairada das necessidades e a ânsia pelo conforto material foi a busca e o sentido da própria vida, deixando tudo o mais de lado. Mas há algo de bom nisso tudo. Agora, já que não há mais necessidade, somos incumbidos da maior obrigação de todas: transcender o sentido da vida, como a nossa natureza sempre exigiu, para alcançarmos a verdadeira plenitude. Portanto, não há dúvidas de que as profissões do futuro - não tão distante - serão as contemplativas, que estimulam no homem o conhecimento de algo mais, como a filosofia e a religião. As áreas que se estendem para além da matéria útil e da busca pela informação bruta.

A inutilidade do jovem é real para a sociedade, pois é ela quem decide sobre isso. No passado, nunca houve problema de sentido, pois se vivia algo em nome da eternidade e contemplação enquanto se labutava. Agora que viemos de gerações absorvidas pela utilidade, se esquece o que está para além disso para o significado da vida.


A busca desvairada do homem em sua utilidade, na qual se estendeu por trezentos anos, chegara ao fim. Por três séculos, direcionamos nossas vidas e atenção para os resultados de invenções e descobertas que culminaram no mundo de hoje. Todo o sentido contemplativo da vida deixou-se em nome de uma curiosidade vã e minimalista quanto à sua percepção da realidade. E os resultados dessa nova fase chegou nos jovens da geração passada arrastando-os a uma total perda de sentido.

Alcançamos a independência das necessidades básicas para dependermos de coisas ainda mais baixas, originadas das próprias mãos do homem. O problema não é irreversível, mas ainda é recente para o compreendermos totalmente, pois a petrificação de todos os sonhos mais baixos aconteceu há duas gerações.


O dever agora está em nossas mãos, pois a geração utilidade, ao menos nesse pais, deixou um rastro de destruição mental. Estamos perdidos, completamente sem rumo, cambaleantes, como se estivéssemos saindo de um porre que dura séculos, e agora, ao nos depararmos com a nossas famílias caindo no abismo, nossos filhos se maltratando a si mesmos, nos desesperamos, e em razão da nossa ignorância, criamos soluções absurdas que não fazem mais que retardar os efeitos de uma vida inteira de erros.


Cada geração compactua com uma fraqueza, um dever e uma limitação, assim como cada indivíduo. Mas devemos nos perguntar: com todo esse conforto em vista, e com a conquista material que nos trouxe inúmeros benefícios, agora que alcançamos tudo isso, o que cabe à nossa geração buscar?































 
 
 

Posts recentes

Ver tudo
A virtude como meta

Se o caminho aberto não for o da virtude, então não há o direito de percorrê-lo. É por isso que a verdadeira educação nos chega como aquilo de mais importância nesse mundo, pois ela entregará o direi

 
 
 
João, o pé de feijão e a educação

Todos conhecemos a história: João era um garoto de uma família camponesa muito pobre onde até fome passava. Um dia, ele vende seu sustento por um grão de feijão mágico que brotaria numa quantidade que

 
 
 

Comentários


bottom of page