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Educação é saber o que priorizar.

Atualizado: 7 de jul.

O ideal seria saber tudo e sobre todas as coisas, ou seja, ser Deus. Mas somos limitados, por natureza e pela própria realidade na qual nos inserimos. Portanto, a questão vital de todo o ensino paira na escolha daquilo que se priorizará dentro da infinidade das possibilidades humanas. Por essa razão, o ensino será - de certa forma - sempre insuficiente, falho, faltante e, principalmente, desgostoso para muitos, pelo que sua esquematização será motivo para conflitos e cisões.


Hoje, no caos generalizado nas escolas, os professores seguem uma espécie de calendário político global, para servir de conteúdo para ligar todas as atividades e exercícios em sala de aula.

A semana da dengue, do aquecimento global, da água, do índio etc. Datas oficializadas pelos maiores veículos de poder que nada se relacionam com educação.

Chega na semana da dengue e as crianças aprendem sobre a dengue, chega na temporada da copa do mundo e tudo se relaciona com o futebol, chega o dia da terra, e o mês inteiro se fala sobre o “desperdício” material.

Ora, nenhum desses assuntos são inválidos em si mesmos, pois tudo pode ser aproveitado, mas quão pequeno podem ser quando comparados com outros? Não há nem um outro conteúdo, que poderia ao tempo que se eleva sobre os demais, englobar também todos eles? Não haveria outro conteúdo que independente da situação concreta, entregaria os meios e a vontade de se realizar o bem? Que transcenderia os benefícios concretos de qualquer ato, entregando uma razão e um motivo para fazê-lo?

Quando nos concentramos em coisas muito específicas e exatas, diminuímos nossa imensidão à uma fagulha que diariamente terá de ser revivida, e assim, a chama não consegue abarcar todas as coisas para a sua própria sustentação.

Ensinamos, por exemplo, que jogar lixo no chão é errado, pois se entopem os bueiros da cidade, alagando as ruas. Ora, e se para além dos resultados concretos de nossas ações, evocássemos o problema da feiura do branco do papel e do lixo jogado na calçada, que antes de corromper o sistema de esgoto, corrompe o juízo, e então, a alma? Se no lugar da falta de oxigênio causado pelo desmatamento, lembrássemos do desespero de viver num lugar completamente acinzentado?


Trabalhe um problema verdadeiramente humano, e cure de uma só vez, todas as consequências práticas desse problema. Eduque o senso de beleza, da justiça e do bem, e não será mais necessário a perda de uma infinidade de tempo em milhares de coisas específicas. Há meios e caminhos os quais se ramificam infinitamente no ser, que lhe entrega as respostas e os princípios para toda e qualquer situação em que deverá agir ou pensar, e a prioridade da educação deveria estar nesses ensinamentos. E qual, entre todos eles, poderia oferecer mais ramificações ao homem que o conhecimento do divino? Onde tudo tem seu início e fim?

 
 
 

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