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A insuficiência da educação infantil

Atualizado: 25 de jun.

Pode até parecer absurdo e, com toda certeza, perderei muitos olhares que gostaria que se voltassem para esse ponto, mas quando me refiro a premissa do título, preciso esclarecer que estou falando de educação institucionalizada , a qual defendem impondo metodologias como um dever para um ser inconsciente de si mesmo; e fazem isso sem haver uma única prova de um longo cultivo de resultados sobre o que fora aplicado ao infante.


Educação, para ser educação, precisa mirar ao longe, visar o longo prazo, ou não é educação, mas criação, cuidados que - sem tirar qualquer mérito - as creches arcam com toda a responsabilidade e esforço desse mundo. Mas, depois de conhecer o infante de até seis anos, não há como acreditar que alguma metodologia além da criação natural, irá acrescentar qualquer benefício em sua natureza, além de conseguir entretê-lo de formas diferenciadas, que começam e acabam na própria atividade.


Há um emparelhamento natural das habilidades e da consciência no próprio crescimento, independentemente do que fora praticado até essa grande idade da sua vida, que entrega à criança a possibilidade de fazê-lo sem problema algum. Mas é pelos seis anos que ela encontra, pela primeira vez, um "eu" que consegue memorizar, apreender e julgar. Há uma certa moral no infante, mas será na criança que ela criará as suas raízes, e é por essa razão que a pedagogia sempre envolverá crianças acima dessa idade - acima dos 6 anos - quando a verdadeira educação se inicia. Dessa forma, não fica tão difícil imaginar porque a educação infantil é terra de ninguém. Não há como encontrar qualquer método legítimo que consiga provar alguma diferença entre a criança vivendo dentro ou fora dele, e, pior, cada vez mais - em razão dessa falta de resultados - se transfigura mais a realidade para que ideias novas tenham como único objetivo causar uma boa impressão, pois o que vale, no fim, é ter uma boa desculpa para os pais largarem os filhos nas escolas


Percebi, na faculdade de pedagogia, que qualquer conteúdo ou afirmação expostos por professoras eram de cunho estritamente pessoal, não havendo provas, relatos de melhoria, ou qualquer documentação de algum benefício colhido com novas propostas ou ideais de ensino. Cada novo estudo na área infantil - até seis anos - se sobrepõe acima do anterior, sem adicionar ou continuar qualquer coisa, transformando toda nova informação numa bola de neve de conteúdos que em nada se relacionam com a verdade;  ou que possuam algum propósito,  além do de falsear algum mérito para os docentes, sem perspectiva alguma sobre a realidade. Faça isso ou faça aquilo, tanto faz, nada é melhor ou pior, a não ser, é claro, o que vem do passado, onde tudo é terrível.


Milhares de propostas e teorias são inventadas e aplicadas todos os dias na educação infantil, enquanto nos calamos e nos cegamos quando a criança chega no ensino fundamental. Ali não existem mais possibilidades, não há alternativas e não se faz um único estudo que enxergue uma nova perspectiva,  de uma educação concreta, na idade ideal para ser educado, na idade em que realmente irá se colher - para o bem ou para o mal - tudo o que se apresente ao jovem.


Acreditava que havia apenas um único motivo para essa cegueira: o medo que o brasileiro tem da verdade, da sua ignorância e, principalmente, o medo de fazer algum bem concreto.  Pois como já dito, é fácil criar teorias metodológicas na educação infantil, pois não se enxergam seus resultados na realidade, não há provas, não há colheita de resultados a longo prazo; tanto que, todos os alunos, sem exceção, são atirados na mesma sala de aula ao chegar na primeira série, onde então, finalmente, as teorias pedagógicas para os jovens - após os 6 anos - serão provadas, e seus resultados estarão expostos a todos. Haverá intensas lutas, o plano moral sai da ação e passa para a intensão, a educação pela primeira vez é notada,  assim como é entregue uma culpabilidade muito maior à criança,  em suas ações.  Agora, que professora quer meter a mão num vespeiro? Todos sabem que o que há na escola hoje para o ensino fundamental não é educação coisa nenhuma, mas quem teria a coragem de tentar resolver algo que foi proibido de pensar?  Então, para além dessa ideia de conforto e segurança onde as professoras se refugiam dentro da educação infantil, onde falam, falam e falam sem dizer nada, também há um segundo motivo para o total descaso com o jovem ao sair da creche, ao atingir a idade para a verdadeira pedagogia.


Temos em nossa cultura, um conformismo e uma obediência escrava para tudo o que nos chega sistematizado do governo, quase que como um deus salvador, e na educação, não podia ser diferente. Aqui nosso deus é o MEC, onde estando uma vez definidas todas as diretrizes em um plano nacional, abaixamos a cabeça e obedecemos sem pestanejar. Há um mundo de infinitas possibilidades, descobertas e métodos na educação infantil, e não há mais nada, a não ser a palavra da BNCC, ao chegarmos no ensino fundamental.

Como poderia culpar unicamente as professoras que dedicam seus estudos aos infantes quando se proíbe por lei, aqui no Brasil, pensar em qualquer alternativa para os anos seguintes da juventude? Somos condicionados a não pensarmos, ou a direcionar o nosso pensamento apenas para aquilo que o estado ainda não pôs suas mãos, pois quando ele o faz, colocamos sua palavra diante de nós como a palavra final para todo o conhecimento.


Não defendo a destruição das creches, apenas proponho que a atenção dos pedagogos se volte para a idade do cultivo real em que a criança poderá colher em sua vida, em métodos e meios que a fortifique, que transpareça em seu ser os resultados que apenas um professor poderia entregar. São quatro anos, cinco dias por semana, três horas por dia e um salário-mínimo por mês numa universidade para sair com menos conhecimento que um dia numa escola real poderia proporcionar da verdade.


O infante, até a idade da criança, fará naturalmente tudo o que precisa para o seu desenvolvimento, enquanto brinca na volta de sua mãe ou de seu pai que lhe impõem certos limites. Basta não trancafiar o filho numa sala escura, e ele se desenvolverá normalmente com ou sem métodos extravagantes. 

 
 
 

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