Pela liberdade da educação - parte 4
Atualizado: 25 de jun.
Pela pluralidade de metodologias, conteúdos e perfis de alunos e professores.
O aluno precisa arcar com o mérito de estar numa sala de aula. Esquecemos que para termos direitos, é preciso primeiro cumprirmos com deveres. Para a educação começar a funcionar, devemos reconquistar essa visão de merecimento do aluno em estar em frente a um professor. Ora, é tão errado desejar que os alunos tenham um mínimo de comportamento numa escola? Que sensação de infâmia é essa, que o professor arcou com o tempo, ao se negar a estar presente à frente de jovens que não querem estar ali? Existem profissionais que aceitam essa missão com muita naturalidade, e que bom; mas também há aqueles que igualmente querem ser professores, mas que, em certas condições, são inibidos de entregarem a sua aula, pois as exigências, hoje, que a educação brasileira impõe a todos, se distancia da personalidade e perfil de muitos.
Então desistiremos das crianças que não conseguem se comportar numa sala de aula?
Todo o esforço descomunal e desperdiçado aplicado nas escolas para suportarem alunos problemáticos que desfazem o próprio sentido do lugar, seja o motivo que for, poderia voltar-se para programas diferenciados, individualizados de acompanhamento - se a família desejasse por isso. Que coloquemos um ponto final no que provou o seu fracasso sem desistir de ninguém, apenas mudemos a forma de solucionar o problema sem que precisemos jogar todas as crianças com necessidades, virtudes e defeitos quase que opostas umas as outras, num mesmo lugar!
É preciso haver uma compreensão da diversidade em educação.
Meu desejo de ser professor é incomensurável, porém reconheço, com toda a sinceridade, que nunca conseguirei realizá-lo em certos perfis de turma, pois a minha forma de ser, impossibilita meu trabalho em turmas baderneiras, tumultuadas e vulgares. E escrevo, pois sinto que, não somente eu, mas todos, deveríamos ter o direito como professores, de arcarmos com uma pluralidade de modelos de ensino, que além de visar o perfil do aluno, visam também o do professor. Ora, no Brasil, sinto uma carência de modelos escolares por essas concepções idealizadas de forma nacional, longe da realidade e de resultados efetivos, pregando uma homogeneidade das condições do ensino, que, principalmente, deixam de limitar o comportamento ou retiram qualquer exigência sobre o aluno em frequentar a escola. Quando não há seleção de alunos, no fim, só poderá existir um perfil de professor: o berrante, gritão, neurótico e imperativo, que segue, por consequência, o mesmo perfil dos alunos. Os demais, com suas respectivas personalidades - defeitos e virtudes - precisam encontrar outro meio, desistir definitivamente da profissão, ou bravamente resistir enquanto perdem o sentido de suas vidas no seu ofício.
O problema da mentalidade simplista do brasileiro.
A consciência do brasileiro está acostumada a pensar que todo o educador e professor são os mesmos, que podem e devem arcar com o mesmo problema! Assim como o ignorante, que não consegue segregar todas as infinitas variações da realidade em sua mente limitada e transforma tudo numa coisa simples e rasa, tornando todos esses problemas impossíveis de serem resolvidos, pois nem se quer são percebidos ou até aceitos. Somente quando houver uma pluralidade de conteúdos e metodologias, contemplando uma adequação para cada perfil, seja de professores, alunos, objetivos, ideais, necessidades, culturas, regiões, etc., arcando com todas as variáveis que a realidade produz no processo de ensino e educação, faremos com que cada um alcance a máxima plenitude através da educação. Mas, no Brasil, isso se torna impossível, devido a mentalidade unificada de todos os conceitos sobre a educação, que, como mencionado acima, faz de todas as questões – por preguiça mental – uma só, enquanto arca com a maior diversidade cultural do mundo; como não percebemos que isso é uma contradição em si mesmo? Como um pais com essa diversidade chegou a criar um sistema único de ensino, com metas, conteúdo e metodologia para mais de 40 milhões de indivíduos? Somente a catástrofe que estamos vivendo poderia explicar essa absurdidade, e muitos, ainda, escolhem não enxergá-la.

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