João, o pé de feijão e a educação
Atualizado: 4 de ago.
Todos conhecemos a história: João era um garoto de uma família camponesa muito pobre onde até fome passava. Um dia, ele vende seu sustento por um grão de feijão mágico que brotaria numa quantidade que nunca mais o faria passar necessidade. Para a surpresa de todos, o grão plantando faz nascer um pé de feijão que ultrapassa as nuvens, e João, lá no alto, encontra o castelo de um gigante que criava um ganso que botava ovos de ouro. O menino furta o animal e, sendo perseguido pelo dono, corta o pé de feijão e derruba o gigante, causando a sua morte. João e sua família ficam ricos com o precioso animal e nunca mais passam necessidade alguma.
Mas há uma versão da história onde as coisas não acabam bem, que por ganância, João, ao descer do castelo e ao chegar em casa, imagina que haveria uma máquina nas entranhas do animal, e que ela poderia ser desvendada, retirada, compreendida e reproduzida diversas vezes. O rapaz então sacrifica o animal estrebuchando-o, procurando algo que explicasse aquele ouro que saia tão naturalmente em seus ovos. Mas para o amargo desgosto de João, o ganso era como todos os outros por dentro e acaba não encontrando nenhuma resposta para o mistério dos ovos de ouro; e agora não haveria mais ganso, nem ouro e nem o sustento da família que trocara pelos feijões.
Certos mistérios, nunca poderão ser totalmente desvendados, e terão de ser aceitos por toda a eternidade; contudo, podemos, mesmo não o compreendendo, aproximarmo-nos dos resultados de sua graça, principalmente quando se referem à natureza do homem. Por muitos anos tentamos estrebuchar o homem e a criança, como João fez com o lindo animal da forma mais cruel e rasa possível, a fim de podermos colocar um ponto final nas explicações para a nossa própria natureza; porém, ao fazermos isso, esquecemos, desvalorizamos e execramos tudo o que já nos fazia produzir o ouro mais valioso que fabricávamos. Fomos pior que gananciosos, fomos soberbos, e achando ter o poder sobre todas as coisas, inclusive sobre a nossa própria criação, caímos na mais profunda enganação.
Aquilo que se fará com a educação será sempre um mistério, mas o conteúdo que mais tirou resultados desse mistério, mesmo não o desvendando totalmente, sempre fora a religião e a filosofia.
Como o ganancioso João, matamos aquilo em nós que gerava o ouro, que mesmo desconhecendo a sua origem, nos entregava a vida humana em mais completa plenitude.

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