A quebra de paradigmas.
Atualizado: 3 de ago.
Já que não cai bem falar em quebra de tradições e cultura, inventamos a palavra "paradigma". Agora podemos falar em quebra de tradições usando "quebra de paradigmas” para o mundo concordar e achar genial sem saber o que a frase realmente significa.
Hoje não há mais poder para mudança, e por essa sensação de impotência, surgem as frases mais extravagantes e perniciosas, como a de “mudar o mundo”. Como mudar o mundo se tudo muda a toda hora? O que a sociedade nos entrega é uma falsa impressão de mudança que pensamos exercer sobre ela enquanto desistimos de mudar a nós mesmos para melhor. Hoje precisamos cuidar para as crianças não colocarem fogo nas coisas e os adolescentes neles mesmos!
O que há no fim das contas é o surgimento pela primeira vez de uma acomodação no desacomodar-se. Nada permanece ou perdura, tudo se rende a uma moda tão decadente quanto a anterior. Quem sabe o que será da educação amanhã ou semana que vem? O paradigma hoje se tornou a quebra de paradigmas. Conseguimos mudar o mundo. Em dois séculos, matamos mais que em todas as guerras de todas as eras da humanidade. Esquecemos que quando partimos com a missão concreta e não imaginária de “mudar o mundo”, a primeira grande ideia que nos aparece é se livrar daqueles que não querem a nossa mudança.
A educação serve para mudar o indivíduo, a política se instrumentaliza da educação para mudar o mundo. Esse é o mais antigo dos paradigmas.
Quando um país puser em sua juventude o peso de suas decisões, será o seu fim. Todos sabemos disso, basta que não sejamos mais jovens para percebermos a ignorância da juventude com a sua falta de premissas sobre a realidade. O adulto que nega a incapacidade do jovem em tomar certas decisões é malicioso ou ainda não atingiu sua maturidade.
Haverá sempre uma tensão entre o antigo e o novo, ambos com os seus defeitos, mas como pretendemos achar que teremos força para lutar por uma real mudança, quando esquecemos do esforço descomunal que é exigido apenas para se manter o que já se conquistou de valor?
Mudança é sempre boa? É claro que não. Paradigmas são sempre ruins? Também não. Há certos paradigmas que precisamos manter? Com certeza.
Não é à toa que o autor fez de Mafalda uma criança, assim quando cair em erro, sempre estará desculpada.
Não avaliamos o mundo através de paradigmas, mas através de pessoas e exemplo, de uma análise da realidade que abrange tudo a todo o momento.
Se o que faz quebrar um paradigma é outro paradigma, a própria definição de paradigma é fútil.
A quebra de paradigmas é apenas uma consequência da busca pela verdade, quando a quebra se transforma no único objetivo de buscar outro paradigma, então o paradigma é tão malicioso quanto o anterior.
Paradigma é a forma final de todo um processo a que ninguém entrega atenção.
O ignorante gosta de quebrar paradigmas por quebrá-los, sem pôr nada no lugar, e hoje há muitos ignorantes, pois o que não entendem preferem que seja destruído antes de compreendido.
Se o homem não tivesse razão, poderia existir o tal do paradigma, mas já que ele possui o sistema mais complexo do universo para julgar qualquer coisa em seu ser, o paradigma chega em último lugar.
Todos os paradigmas estão subordinados a razão, ao juízo e a abertura à verdade no homem; então, de todas as coisas a se discutir como explicação das nossas escolhas e decisões, o paradigma é o mais simples e pequeno.
Toda a verdade no homem é fugidia, como não seriam também seus paradigmas? Não deveríamos estar olhando nossos paradigmas, que somente nos separam do outro, mas as coisas nas quais todo o ser humano utiliza para apreender a realidade, ou seja, seu juízo, sua razão etc.
Se todo paradigma pode ser uma crença, uma filosofia, uma lei, hábitos ou até o conhecimento cientifico, por que não usamos esses nomes no lugar de “paradigmas” que apenas iludem o que estamos referindo na realidade?
O que julga no ser a veracidade de um paradigma?
Se tudo são paradigmas, então que valia tem essa palavra?
Paradigma é quando queremos nos referir à algo que não sabemos o que é realmente.
Então nomeamos no lugar de “coisa”, paradigma. Não para que pudéssemos compreender a realidade, mas por que somos muito estúpidos para compreender o que é realmente o paradigma na qual nos referimos.
Se posso mudar meus paradigmas, então há outra coisa em mim mais importante que o paradigma.

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