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A infantilização é o monstro que devora a inocência.

2 de ago.
3 min de leitura

A infantilização não é nada mais que uma forma enganosa e horrenda da inocência.

Seus conteúdos abusam da inteligência e da decência humana; hoje, é a primeira desculpa a conteúdos vulgares e grosseiros, tudo é impactante, exagerado e intenso.

Deixamos de almejar a inocência para divinizarmos a infantilização, queremos ser bobões e levianos com a vida, com tantos vícios e desejos quanto possíveis, pois nada na história nos ajudou a disfarçar tanto a nossa miséria interior quanto essa nova moda.

Conteúdos infantis ocupam seu espaço no ser como o ar ocupa o interior de um balão, quando pensamos que há algum conteúdo, assim que a bolha é estourada, nos deparamos com o vazio que havia, e então percebemos o verdadeiro vácuo interior e o tanto de esforço e tempo desperdiçados em conteúdos que servem apenas para chamar atenção de qualquer bobo que se apresente na sua frente.


A infantilização do mundo nos chega muito recentemente, em menos de um século, criamos e oficializamos a doença de Peter Pan na arte, não para nos ajudar a compreender a criança, mas para proibir as crianças de crescerem enquanto transformam os adultos em imbecis. A educação precisa visar o adulto futuro enquanto se trabalha a criança, dessa forma, a infantilização é, além de inútil, também extremamente prejudicial, pois o mundo infantil não é natural, ele tranca, isola e dessoa da realidade, da beleza e da verdade, pois vedamos os pequeninos aos monstros que os devorarão assim que forem largados pela própria juventude.


No meio de toda essa injustiça, devemos, no entanto, olhar para algo que É, sempre foi e sempre será a criança, e que acima de tudo, pode permanecer no adulto para entregar-lhe a verdadeira beatitude, e essa dádiva que é entregue pela graça à criança e pode seguir infinitamente em sua vida, é a inocência.

Inocência é o cultivo da virtude no lugar do vício, é saber o que é o bem, fazê-lo, e saber que ele é superior a qualquer estado na maldade. A criança, por natureza, é ingênua, não infantil, e o estado de ingenuidade - que é belo na criança - é um presente que aos pouco se torna matéria de merecimento ao se transformar em inocência com a chegada dos desejos, dos desafios, dos problemas e da responsabilidade geral da vida e para com a verdade. E para contornarmos sua decadência, é preciso o esforço dos santos, que de forma geral, são eles quem representam a inocência e a sabedoria que é intrínseca da criança na magnitude da vida consciente adulta.


Queres entender as crianças? Imite a vida dos santos, o mundo das crianças é o mundo adulto santificado, fora disso, só existe a ingenuidade acovardada que nos leva à ignorância ou à vulgaridade. Por muito tempo, pensamos que aquele que mais se identifica com as crianças seriam os palhaços, que são as figuras com quem a maioria dos educadores procuram se assemelhar, mas estivemos muito enganados, pois fora desvirtuado o sentido verdadeiro da graça da juventude, que é nada mais que um presente antecipado da conquista pela qual o homem haverá ainda de lutar em sua vida, se deseja permanecer no estado mais belo que Deus possibilitou encontrar.

O caminho da santidade começa em reconhecer a dimensão humana no mundo, seja do bem ou da maldade, para então reconhecê-la dentro de si, para que a maldade nunca saia da vigília do bem, e o caminho se faça retamente na graça, então viverá para sempre o ser criança na verdadeira imensidão do homem.

 
 
 

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