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Apologia ao método expositivo.

19 de jun.
4 min de leitura

O método expositivo é o método clássico de educação, ou seja, o professor transmitirá os conhecimentos que serão absorvidos pelo aluno. Como alternativa ao método expositivo, há hoje o chamado método ativo, que ninguém sabe na realidade o que significa, as únicas coisas que importam são a proibição do silêncio na sala, as classes não podem mais ser enfileiradas e o professor não é mais professor, mas uma espécie de ajudante que está na altura dos alunos.


Quando falamos de metodologias ativas, parece que estamos falando de uma figura de linguagem, ou seja, o termo abre espaço para inúmeras interpretações, transformando as palavras no que bem quisermos. Nesse contexto, metodologias ativas expressam a ideia de atividade - exceto cópia ou escuta-, mas o que entendemos por atividade?

A metodologia ativa serve para coisas muito específicas, é um erro aplicar e dizer simplesmente que é necessária uma substituição geral do significado de educar, seria como pôr um avião no lugar de um carro, por mais que pareça-nos em primeira vista que um faz a mesma coisa, porém melhor de uma forma geral; há coisas que cabem somente a um, e haverão coisas que caberão somente ao outro.

Nos métodos ativos, nunca anunciamos para quem, como e por quanto tempo faremos. Mas essas três perguntas, regem o centro de toda a discussão sobre a validade do método. Assim, quando por ignorância ou vil pretensão, acabamos por esquecê-las, cria-se uma descomunal romantização da eficiência de algo que, na realidade, é extremamente limitado.

E, se alguém disser que o método não funciona, sempre haverá a desculpa, não sobre a ineficiência do método, mas do professor ou do sistema de ensino; assim como qualquer ideia aparentemente brilhante, mas altamente destrutiva, quando inserida na realidade esquecendo da natureza humana e de todas as suas tensões, que são inevitavelmente impossíveis de ser resolvidas a partir de um plano geral para tudo e todos.


Educação é um estado de espírito; agora, que estado de espírito é esse cabe ao educador decidir, a partir das verdades que encontrou em sua vida, e ele o fará escolhendo a maneira que mais lhe cabe, mas apenas em seus últimos momentos - se tiver sorte - se revelará a legitimidade de seu trabalho, ou seja, quando a realidade conseguir absorver a sua teoria e o dano se provar mínimo, ou ao menos, menor que os benefícios. Só então estará provada a verdade de seu método.


Parece que ninguém mais entende que para uma criação de valor de qualquer coisa, é necessário uma vida imitando os mestres. A criação, dizem, estaria no topo da pirâmide, mas o topo só é alcançado no fim da jornada. O método ativo pode ser a cereja do bolo, mas nunca a cereja substituirá a massa e nem o recheio.

É necessário inflar o espírito se quisermos retirar algo dele, é necessário inchar para drenarmos o suco da sapiência em resultado efetivo, seja ele na própria alma ou no mundo. É necessário anos de exposição, cópia e muita reflexão silenciosa para o encontro da revelação.

O problema foi o acometimento generalizado de um esquecimento da verdadeira aula expositiva, de como era conduzida, como engajava, como nutria o espírito e a alma do aluno. E então, no lugar de uma tentativa de recuperação do que havia se perdido, resolveu-se esquecer e pôr outra coisa no lugar - como toda solução da era moderna - que nada se relaciona com o sentido de educação que deu origem a todos os pilares da nossa sociedade.


Quanta riqueza poderia haver numa aula expositiva? Quanta interatividade, quanta profundidade?

Como expor algo poderia ser majoritariamente classificado como passivo? Ora, cada sensação capturada pelos sentidos ou ideias concebidas pela mente, não são sujeitas a um severo julgamento do juízo a partir do que se conhece como verdadeiro na realidade? Só uma mente débil ou extremamente treinada conseguiria subtrair a informação do que consideramos verídico. No primeiro caso, o da mente deturpada, ela se condicionou a separar informação de conhecimento, e ,deste, da verdade. Como se a informação que recebeu não precisasse fazer sentido para si mesmo, como se não fizesse parte de sua vida ou de sua realidade, mas apenas concebida como uma necessidade burocrática, algo que precisaria ser aceito e decorado com o único propósito de cumprir uma agenda de boas aparências. Já no segundo caso - na mente treinada - a informação é apenas brevemente isolada das próprias convicções e juízo, com o propósito de ir além das palavras do autor para compreender a sua perspectiva dentro de seus princípios, para então conseguir justificar sua posição.


Contudo, a normalidade da receptividade da informação não se apresenta em nenhuma das duas categorias, porém, como dito mais acima, está numa constante verificação pelo juízo, como um grande filtro, que valida o que é capturado ou conceituado pelo ser. Somos críticos por natureza! Mas ai está uma criticidade saudável e necessária, mas que se destrói com o absurdo da formalização de um método crítico de educação, que exalta ou anula - pelo seu carácter vazio - a natureza da criticidade das coisas; por vezes acabando com o conhecimento, por vezes, até mesmo com a possibilidade de encontrar alguma verdade. Mas sobre a criticidade, que a deixemos para outro momento.


Agora, se o método expositivo é tão ultrapassado, por que todas as atividades de formação de professores são realizadas em formato de palestras, o modo expositivo mais antigo de educação que a humanidade conhece? Onde um público imenso permanece calado enquanto se escuta um monólogo a despejar suas ideias?

Como pode haver tanta presunção e arrogância em invenções de modas que nada devem à verdade? A educação passou a ser essencialmente composta por novidades intermináveis, que precisam parecer bonitas num primeiro momento, pois no segundo, já são substituídas por outras, pois não condizem com a realidade.


Um carrossel ausente de verdade que universaliza tudo o que não consegue ser universal, padroniza tudo que não deveria ser padronizado e que exige uma norma que não consegue atingir normalidade alguma.

 
 
 

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